"O ser humano é capaz de adaptar-se ao meio ambiente desfavorável, mas esta adaptação não ocorre impunemente"
LECI, 1971
Estresse ou “stress” é uma palavra derivada do latim, um conceito fisiológico, que refere-se à adaptação do organismo a uma modificação de seu estado. Durante o século XVII ganhou conotação de “adversidade” ou “aflição”. No final do século seguinte, seu uso evolui para expressar “força”, “pressão” ou “esforço”.
Ele integra o estado de tensão a que o ser se submete por existir. No homem, tem ligação estreita com a chamada “angústia vital”, um estado de prontidão constante. Qualquer alteração física, afetiva, intelectual e social pode provocá-lo. Assim, ele só desaparece com a morte.
Em termos finalistas, o “stress” é útil, capacitando o indivíduo para a ação, tornando-o produtivo. A ausência de resposta adequada aos estímulos acarretaria conseqüências fatais para o organismo. Sob este aspecto, o “stress” é benéfico e estamos aqui falando do chamado “Eutress”.
Entretanto, o termo é empregado geralmente, no sentido negativo, denominado “Distress”, referindo-se a uma condição patológica prejudicial e até perigosa para o organismo.
Entretanto, o termo é empregado geralmente, no sentido negativo, denominado “Distress”, referindo-se a uma condição patológica prejudicial e até perigosa para o organismo.
Para o indivíduo, as suas emoções e a sua saúde física dependem quase que exclusivamente de sua interpretação do mundo exterior. A realidade de cada pessoa é o produto de sua própria criação. E quanto mais você entende as pressões e situações que o influenciam, melhor você se adapta às suas demandas.
Cada pessoa possui o seu stress, com etiologia e características pessoas.
Homeostase: É o estado de equilíbrio do organismo.
Paralelo a física newtoniana, todo corpo tende a um estado de repouso (que pode ser, inclusive, bem movimentado, como ocorre com os planetas). Qualquer afastamento deste estado por ação de forças externas, provocará uma reação por parte do corpo no sentido de retomar a condição inicial.
Os seres vivos apresentam o fenômeno da homeostase (o que, em termos de “eutress” tenderia a uma estado estacionário e improdutivo). Qualquer modificação disto, representa uma ameaça a vida do organismo, o qual, como sistema organizado, reage com alarme e um comportamento específico a fim de enfrentar o perigo.
A ação do sistema nervoso autônomo simpático da ameaça é: as glândulas supra-renais são estimuladas, mais adrenalina é lançada na circulação, o coração bate rápido enviando mais sangue (e mais glicose) aos órgãos efetores do ataque ou fuga, ou seja, os músculos estriados; a respiração se acelera, incrementando o oxigênio disponível ao metabolismo celular, a pressão arterial aumenta devido à constrição das artérias no transporte de sangue, a circulação põe-se a serviço dos músculos, em detrimento dos órgãos digestivos; as pupilas dilatam-se a fim de melhor se visualizar o perigo, glicogênio é mobilizado, dado o aumento do consumo.
Com isso estamos descrevendo a chamada Reação de Alarme.(Luta ou Fuga).
Ela ocorre, não necessariamente diante de perigo concreto, mas também como resposta a qualquer modificação – ou ameaça de modificação – ao estado de equilíbrio. Quantas boas notícias a provocam!
No ser humano, o “stress” se processa de modo idêntico aos outros animais, com duas diferenças:
1) A ameaça provém tanto do mundo externo (componente objetivo da ameaça), quanto do mundo interno ( componente subjetivo, imaginário). Este último adquire, muitas vezes, importância extrema.
2) Os músculos mobilizados não são apenas os estriados, dependentes da vontade, mas sim, e principalmente, os lisos (responsáveis pela movimentação do estômago, intestinos, brônquios, artérias e coração).
Impedida de se realizar através da musculatura estriada, a descarga da tensão gerada pelo alarme, ocorrerá ao nível dos órgãos internos (órgãos de choque).
REAÇÃO GERAL AO ESTRESSE
A reação humana a qualquer tipo de “stress” foi denominada por Selye: Reação geral de adaptação ou GAS em língua inglesa.
Consta de três fases:
- Alarme: O corpo reage como um todo. (já descrita acima)
- Resistência: O agente agressor persistindo, o corpo tenta adaptar-se a isto.
- Exaustão: Caso a agressão não cesse, existe um limite na duração da resistência, após o que, sobrevém a exaustão
a) Reação de alarme:
Selye a define como o conjunto de todas as modificações inespecíficas do organismo em decorrência da brusca ação de estímulos aos quais não se encontra adaptado, nem quantitativa nem qualitativamente.
b) Fase de resistência
b) Fase de resistência
Se na fase de alarme, o organismo reage como um todo à agressão, na de resistência, a defesa inicialmente resgatada pelo contra-choque, torna-se mais especifica. Adquire intensidade igual ou maior à que o organismo possuía antes do ataque. Dá continuidade à tarefa do contra-choque.
c) Fase de exaustão
c) Fase de exaustão
Ocorre dano tecidual com eclosão da doença orgânica: úlceras gastrointestinais, hipertensão arterial crônica, diabetes, fenômenos reumáticos.Dependendo da gravidade, as reações do choque são retomadas, porém sem resultado. O organismo tende para a morte.
CAUSAS DO ESTRESSE
EXTERNAS: Qualquer mudança na vida de alguém, agradável ou desagradável. Desde uma porta que bate a um acidente sério, a tensão psicofísica aumenta temporariamente. Não é possível eliminar o “stress” completamente, senão nos comportaríamos como mortos-vivos. Assim, são causas externas, todos os acontecimentos objetivos da vida, dinheiro, acidentes, perdas de entes queridos, desentendimento familiar, conjugal, preocupação com os filhos, trabalho excessivo, etc.
INTERNAS: Relacionam-se ao tipo de personalidade e ao modo como se reage à vida. São os “fantasmas” que cada um carrega consigo, as ameaças imaginárias.
Porém, para qualquer das causas, seja real ou imaginária, o organismo reagirá de modo idêntico, acionando o estado de alarme e daí por diante.
Quando o perigo é real, concreto, uma vez afastado, o organismo tende ao estado inicial de relaxamento e os sintomas desaparecem.
Entretanto, quando a ameaça é subjetiva, não pode ser afastada com facilidade e o organismo permanece reagindo a ela, provocando “stress”. Com isto, diminui a resistência às doenças: infecções, úlceras gastrintestinais, infarto do miocárdio, psoríase, afecções reumáticas, etc.
Sensibilidade ao “stress”
Diante de situações objetivas estressantes, umas pessoas mostram-se mais sensíveis, outras menos.
Pesquisas indicam que pessoas mais resistentes ao “stress” apresentam atitudes específicas em relação à vida, tais como: abertura e tolerância às mudanças, tendência a se envolver com o que faz, exercício de uma filosofia de vida, sentimento de controlar os acontecimentos da vida.
As mesmas pesquisas mostram que uma pessoas com tais características têm 50% menos chance de desenvolver um quadro de “stress” em relação à média da população, acrescentando que podemos obter um modo saudável de ver o mundo em qualquer momento da vida, basta para isto se querer (isto é, PODER) aprender.

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