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sexta-feira, 4 de março de 2011

DOR


“A dor é a miséria perfeita, o pior dos demônios, e, quando excessiva, esgota toda a paciência (Albert Schweitzer)"

A dor e o medo são provavelmente os mais primitivos sofrimentos do homem, diante dos quais, ao contrário do que ocorria com o frio e a fome, ele ficava totalmente impotente.
A doutrina dos cinco sentidos tal como conhecemos hoje, atribuída a Aristóteles, não faz menção à dor. O filósofo macedônio, assim como Platão antes dele, coloca a dor e o prazer lado a lado como paixões da alma.
De acordo com o IASP, a dor “é uma experiência desagradável, sensitiva e emocional, associada com lesão real ou potencial dos tecidos ou descrita em termos dessa lesão”.
As dores podem ser classificadas em agudas ou crônicas:

Dor aguda: São as dores que todos conhecem, de curta duração (minutos, horas, dias As causas de dor aguda são geralmente identificáveis e, como regra, agem através de um dos seguintes mecanismos:

- lesão mecânica  ----- irritação química dos tecidos ----------- queimadura
- estresse tecidual como a isquemia  ----- distensão aguda de vísceras ocas ou de vasos sangüíneos  ------- espasmos de músculos lisos
Ainda que conhecida e sentida em algum momento da vida por todos nós, a experiência de dor aguda é um processo complexo, que não se limita à alteração dos tecidos, mas que se põe em jogo toda uma série de mecanismos neurofisiológicos, hormonais e psicológicos que vão, em última análise, caracterizar a “reação de alarme”, de Cannon, e preparam o organismo para a ação luta-fuga.
A resposta emocional básica do indivíduo à dor aguda, na medida em que ela representa um evento ameaçador, é a da ansiedade aguda e todas as reações físicas que a acompanham.

Dor Crônica: Em termos simples, crônica é a dor que dura mais de 4 a 6 meses. Mas, de fato, essa denominação “dor crônica” abrange muito mais que um sintoma prolongado. Expressa uma situação comum em medicina, bastante complexa em termos fisiopatológicos, diagnósticos e, mais especialmente, terapêuticos, que amiúde põe em cheque o conhecimento e a paciência do médico.

Com o passar do tempo, a dor torna-se o centro da vida do indivíduo (e de sua família) e passa, ela mesma, a constituir-se como doença: algopatia

Repercussões emocionais das dores crônicas

1.     Depressão
Assim como a ansiedade é o afeto mobilizado na dor aguda, a depressão pode surgir como fenômeno secundário na dor crônica orgânica. Janowsky e Sternbach (1976) consideram como elementos importantes na gênese da depressão secundária à dor crônica o sentimento de perda que acompanha qualquer modificação para pior nas funções orgânicas de uma pessoa, aliado à limitação da capacidade física determinada pela dor, o que impede o indivíduo de funcionar adequadamente. Tal situação leva, segundo aqueles autores, a um estado de luto semelhante ao experimentado após uma amputação. Podem surgir, além disso, sentimentos agressivos contra o médico que não cura a doença, que por vezes considera o enfermo como neurótico ou histérico ou que valoriza pouco suas queixas. Essa agressividade muda, encoberta, acaba se voltando contra o próprio paciente, já que esse continua a precisar do clinico e da sua atenção e, por certo, não pode agredi-lo. A medida que o tempo passa e a dor persiste, surge no doente uma preocupação constante e crescente com seu corpo e que leva, por vezes, à hipocondria.
2.     Comportamento de dor
Quando alguém sente dor, nós tomamos conhecimento do fato porque o indivíduo demonstra seu sofrimento por um comportamento: queixa-se, geme, lamuria-se, executa determinados gestos ou assume determinadas posições que visam melhorar a dor. Tal conduta, que é normal, serve para comunicar o que está passando e solicitar auxilio. A exibição desse comportamento na ausência de dor é anormal e constitui o “comportamento da dor crônica”.
Assim, para o profissional de saúde a DOR é um desafio constante. Fazer a intervenção sobre a dor, como doença e não como sintoma, torna-se um trabalho que inclui várias alternativas. A medicina, a fisioterapia, a psicologia, e outras especialidades têm se empenhado em descobrir novas técnicas que diminuam o processo doloroso, descobriu-se que só o médico não poderia resolver esse problema, pois a abordagem é multidisciplinar e envolve muitos aspectos, utilizando modalidades fisiológicas, emocionais, cognitivas e sociais.
É importante levar em consideração o indivíduo, alterando e melhorando assim sua qualidade de vida após a intervenção terapêutica.